
Coalizão lança relatório do 3º trimestre
14 de novembro de 2025BioBelém premia startups de impacto da Amazônia
Apoiado pela Coalizão pelo Impacto, programa fortaleceu o ecossistema local com diagnósticos especializados e conexão de empreendedores com mentores estratégicos

O encerramento do BioBelém: Justiça Climática, Bioeconomia e Inovação Local, programa de incubação para negócios com foco em bioeconomia, restauração ecológica, segurança hídrica e bem-estar das populações locais, premiou startups de impacto da Amazônia durante o evento, que aconteceu em dezembro, no Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa).
Iniciado em setembro de 2025, o BioBelém foi uma das seis iniciativas apoiadas pelo programa Inova Meio Ambiente, fundo de financiamento a empreendedores de impacto promovido pela Coalizão pelo Impacto. O projeto é uma realização do Cesupa, executado por meio do Cria Amazônia, seu ecossistema de inovação e sustentabilidade.
Antônio Abelém, coordenador da Coalizão pelo Impacto Belém, explicou que o objetivo da chamada foi fortalecer o ecossistema de negócios de impacto e apoiar a criação de lideranças nesse contexto. “Essa é uma ação complexa, e a Coalizão mapeou oito dimensões que precisam ser fortalecidas. Uma delas são as organizações de apoio a negócios de impacto, como incubadoras e aceleradoras”, informou Abelém.
“Para o BioBelém, isso se traduziu em um investimento de aproximadamente R$ 200 mil e no acompanhamento estratégico de um consultor dedicado da Coalizão ao longo de todo o processo da incubadora”, complementa o coordenador.
No total, o programa recebeu 27 inscrições, das quais 11 foram aprovadas e nove negócios concluíram o programa. Foram realizados 29 diagnósticos para auxiliar no plano de desenvolvimento personalizado de cada startup, além de avaliações especializadas nas áreas jurídica e de marketing.
Para estimular a participação dos empreendedores ao longo dos quatro meses de aceleração, o BioBelém premiou os três primeiros colocados. A vencedora foi a startup Tekohá Cosméticos Regenerativos, que recebeu R$ 20 mil, aposta em cosméticos veganos feitos com insumos amazônicos. Com experiência prévia em processos de aceleração, a fundadora Danielle Amaral destacou a condução das mentorias como um dos pontos fortes do BioBelém.
“O primeiro edital que passamos foi em 2023, também no Cesupa. Desde então, já participamos de outros editais nacionais e também na Europa e nos Estados Unidos, arrecadando mais de R$ 300 mil”, informou Danielle.

Para ela, o BioBelém reuniu empreendedores em diferentes estágios e a gente sempre aprende, por mais bagagem que se tenha, sempre há troca. “O programa me conectou com um mentor da área de comunicação que me ensinou técnicas importantes em um ponto de muita dificuldade. Com as aulas, validei minha precificação e consegui prospectar os próximos anos da startup”, compartilhou a empreendedora.
O segundo lugar, premiado com R$ 7 mil, ficou com a Verobio, startup criada em fevereiro de 2025 e atua no mercado de casa e estilo com produtos feitos a partir da biodiversidade amazônica. O negócio trabalha com velas aromáticas, produzidas em ouriço de castanha e caroço de tucumã; produtos de látex, como sousplats e centros de mesa; utensílios de jantar, feitos com madeira de manejo sustentável, e uma linha têxtil com malva amazônica.
Carlos Talini, sócio-fundador e CEO da Verobio, destacou o valor das mentorias oferecidas pelo programa. “O BioBelém foi nosso primeiro processo de aceleração e agregou muito, tanto pelas trilhas e capacitações quanto pelas mentorias. Tivemos dois mentores que nos apoiaram bastante, inclusive em decisões estratégicas para o negócio”, avaliou.
Já o terceiro lugar, com R$ 3 mil, foi conquistado pela Dinam, negócio de impacto que atua na cadeia produtiva da pimenta-do-reino. A iniciativa surgiu em 2021, em Carajás, a partir de um projeto impulsionado pela Fundação Vale com o objetivo de estimular jovens a resolverem problemas por meio da inovação e sustentabilidade.
Thainara Vasconcelos, uma das fundadoras da Dinam, contou que a inspiração para a solução veio de pesquisas conduzidas pela Embrapa. “O modelo tradicional de produção de pimenta-do-reino é caro e envolve a derrubada de
árvores. Em nossa pesquisa, identificamos o método que utiliza a árvore Gliricídia (Gliricidia sepium) no cultivo, tornando o processo mais sustentável”, explicou.
“Participar do BioBelém foi essencial porque tínhamos dores específicas e o programa ouviu essas demandas para traçar um plano de desenvolvimento personalizado. Com trilhas e formações direcionadas, agora tenho uma visão muito mais real de onde o negócio está e para onde quer chegar”, relatou a empreendedora.
Próximos passos
Após a rodada de aceleração do BioBelém, os empreendedores continuam com acesso à infraestrutura do Cesupa. Eles podem participar de eventos nas áreas de negócios e também podem contar com o atendimento do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ). “Também vamos estender a possibilidade do uso de espaços para realizar reuniões e a possibilidade de contar com os alunos do Cesupa para a resolução de desafios de negócios”, declarou Suze Oliveira, coordenadora do Cria Amazônia, Ecossistema de Inovação e Sustentabilidade do Cesupa.




